Difícil caminhar
sob esse céu de vacuidades
e ter de matar, mal
nasce a manhã, dez hidras.
Súbito percebo o
pânico: não há nada a enfrentar!
Noventa cabeças
ocas, os olhos baços e já sem vida
e sem rumo se
multiplicam em infinitos dentes podres.
Nada, nada a
enfrentar. Hidras malditas, que abortam de mim
o herói que sonhei,
a única coisa real à minha volta, percebo,
é minha
sombra, tento retê-la com os pés, sina, ela
foge e sobra,
e some, quando e
como somem os dias, essa morte vespertina
E até que o sol a
reviva, não saberei se era ela minha sombra
ou eu é que sou a
sombra que a minha sombra assassina.

Visões oníricas e fortes. Realmente não sabemos quem é quem. Se sou sombra ou se faço sombra...
ResponderExcluirAbraços!