terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

JOGO DE SOMBRA E SOMBRAS

Difícil caminhar sob esse céu de vacuidades
e ter de matar, mal nasce a manhã, dez hidras.
Súbito percebo o pânico: não há nada a enfrentar!
Noventa cabeças ocas, os olhos baços e já sem vida
e sem rumo se multiplicam em infinitos dentes podres.
Nada, nada a enfrentar. Hidras malditas, que abortam de mim
o herói que sonhei, a única coisa real à minha volta, percebo,
é minha sombra,  tento retê-la com os pés, sina, ela foge e sobra,
e some, quando e como somem os dias, essa morte vespertina


E até que o sol a reviva, não saberei se era ela minha sombra
ou eu é que sou a sombra que a minha sombra assassina.




Um comentário:

  1. Visões oníricas e fortes. Realmente não sabemos quem é quem. Se sou sombra ou se faço sombra...
    Abraços!

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